• Como a economia compartilhada pode democratizar o ensino

    Startup Udemy usa market place para entregar cursos online para 11 milhões de estudantes mundo afora. Expansão global mira crescimento brasileiro

    Para Sérgio Agudo, diretor de marketing da Udemy, a forma como aprendemos será cada vez mais personalizada, um movimento que tem sido liderado, principalmente, por startups na área de educação despertas para a crescente onipresença dos dispositivos móveis.

    A Udemy, market place de ensino online onde, na teoria, qualquer pessoa pode colocar seu conhecimento à disposição, é um dos exemplos de que o ensino móvel e à distância tem cativado alunos mundo afora.

    Lançada em 2010, a startup é baseada no Vale do Silício, Califórnia e fundada por Eren Bali e Oktay Caglar. Atualmente conta com 11 milhões de estudantes cadastrados em mais de 190 países. Segundo a própria companhia, sua base de estudantes cresceu 100% em 2015 quando comparado ao ano anterior.

    Não demorou muito para o crescimento da startup também despertar a atenção de investidores. Em cinco rodadas de investimento, a empresa conseguiu levantar mais de US$ 110 milhões de investidores que incluem a 500 Startups e Insight Venture Partners. O investimento mais recente foi anunciado no início de junho pelo grupo de mídia e varejo online Naspers, que destinou à Udemy US$ 60 milhões. Neste ano, a startup fez sua primeira aquisição quando comprou a jovem empresa Talentbuddy, com o objetivo de acelerar a integração de exercícios de programação. “Estamos bem sólidos”, avalia Agudo em entrevista ao IDG Now!”.

    Agudo tem papel estratégico na expansão global da companhia, cujo esforços nesta fase se concentram na Alemanha, Japão e Brasil. É ele o responsável pelo avanço da plataforma em países da língua portuguesa. Apesar de não divulgar números para o mercado local, o executivo diz que as “perspectivas são muito boas para o Brasil”. Até então, a plataforma disponibiliza 575 cursos para falantes do idioma em categorias como desenvolvimento, negócios, design, marketing e TI. Recentemente, a startup firmou parceria com a faculdade Estácio de Sá, disponibilizando cursos da universidade na plataforma Udemy.

    Economia compartilhada

    O crescimento da Udemy também acompanha o de outros negócios que têm em sua vocação a economia compartilhada. Diferente de outros serviços de educação à distância, onde professores e acadêmicos disponibilizam aulas, na Udemy, qualquer pessoa pode compartilhar cursos e, por meio deles, gerar receita. Atualmente, são mais de 20 mil instrutores em todo o mundo.

    Os cursos são multimídia, com vídeo aulas, exercícios e textos e uma vez comprados podem ser acessados offline e por tempo indeterminado. Há desde opções gratuitas a cursos técnicos por até US$ 50. Segundo Sérgio Agudo, uma curadoria técnica é responsável por avaliar os instrutores Udemy.

    O estudante de Engenharia de Computação da Universidade Federal de Santa Maria, Guto Thomas, 21 anos, entrou para a Udemy há cerca de um ano. Depois de disponibilizar vídeos sobre desenvolvimento de jogos no YouTube, Thomas decidiu migrar para o market place. Atualmente, ele conta com cerca de 4.100 estudantes de 104 países, com maior destaque para usuários no Brasil e Estados Unidos. Por meio da plataforma, ele consegue faturar uma média mensal de US$ 1 mil e com um custo muito baixo: “Eu gravo os vídeos em casa, só tenho o custo do microfone e de energia”, conta Thomas.

    Quanto ao modelo de negócio, estudantes que vierem até o curso por esforços do próprio instrutor, como resultado de divulgação no Facebook, por exemplo, a Udemy cobra 3% para cobrir custos da operação. Caso o estudante matriculado for resultado de uma busca dentro da própria plataforma ou de ações de marketing da Udemy, a companhia divide a receita com o instrutor.

    Apesar de não ter foco na área de tecnologia da informação, a Udemy tem se tornado referência na oferta de cursos de desenvolvimento de aplicativos, games, desenvolvimento web e mobile e JavaScript.

    Para Sérgio Agudo, a concentração dos cursos da área é natural da própria demanda do mercado, que exige cada vez mais conhecimento específico na área digital e de programação. “Se você for um desenvolvedor Android ou iOS, você precisa saber o que o Google ou a Apple estão fazendo. No último lançamento do iOS 9, cinco dias depois já tínhamos cinco cursos prontos na plataforma e cinco dias mais de 10 mil alunos inscritos. E se eu sou um programador, eu tenho de saber que a forma mais rápida de ter acesso ao que a Apple está fazendo é um curso online”, ressalta.

    O executivo destaca a importância de dispositivos móveis no crescimento da própria Udemy e na forma como tem impactado o aprendizado de seus usuários.

    “As pessoas tem menos tempo para parar e sentar em uma sala de aula para estudar. Não queremos substituir esse modelo, queremos complementar. Mas todo mundo hoje é mobile, as pessoas aproveitam mais o tempo que elas têm em uma espera para assistir um curso. A educação vai ser muito pessoal, de como eu vou achar o meu estilo, o meu tipo de aprendizado. Cada um vai ter que gerir sua própria carreira, buscar seu curso, e vai ver para onde quer ir. E esse controle de carreira vai ter de passar pelo mobile”, prevê Agudo.