• Inovação com foco no corporativo

    Em entrevista, CEO da aceleradora Gema Ventures, Luisa Ribeiro detalha programa de aceleração que tem foco startups para mercado corporativo. Inscrições para 3ª turma estão abertas.

    Não faz muito tempo que Luisa Ribeiro, 32 anos, assumiu de vez uma vocação, que segundo ela já se mostrava desde os anos adolescentes – o de empreender. Porém, agora com outro viés, já que por meio da aceleradora Gema Ventures, Luisa ajuda outros a empreenderem.

    Formada em engenharia pela PUC do Rio de Janeiro, a co-fundadora e CEO da Gema e ex-sócia da Papaya Ventures, percorreu um caminho relativamente longo antes de se dedicar exclusivamente ao universo das startups.

    Na trajetória, um mestrado em administração em Singapura, uma passagem pelo mercado financeiro em Londres e três anos de residência em Paris. Período que se envolveu com a primeira startup que trabalhou, um market place dedicado a conectar serviços domésticos a usuários finais.

    Ao retornar para o Rio de Janeiro em 2011, Luisa tinha como objetivo dar início as operações do negócio por aqui. No entanto, foi na mesma época que identificou algumas lacunas no ecossistema de startups no Brasil. Como resultado, vinha em 2012 a aceleradora Papaya Ventures, hoje descontinuada.

    “Eu via muitos desafios que os empreendedores passavam e ao mesmo tempo investidores que queriam investir em novas empresas, mas que achavam que startups locais não se encontravam no nível de amadurecimento em que eles se sentissem confiantes para investir. E eu pensei, bom acho que é aqui que eu posso construir alguma coisa legal. Vou fazer a ponte nessa fase inicial e levar o empreendedor para uma fase mais madura. E foi muito aprendizado, porque eu entrei de cabeça no negócio sem ter muita experiência na época”, lembra.

    Com a abertura da Gema Ventures em 2014, Luisa, o sócio Giuliano Batisptella e um terceiro sócio-investidor, resolveram priorizar startups com foco no mercado corporativo. Com o programa também vieram algumas distinções. Quando a maioria se limita a um prazo de incubação de três a seis meses, a Gema conta com 18 meses.

    Nos seis primeiros meses, as empresas escolhidas passam por etapas comuns a outros programas, como workshops e entrega de metas semanais para desenvolvimento do produto. Já no restante do programa, as startups recebem suporte à distância, incluindo acompanhamento feito pela equipe da aceleradora e mentores convidados, além de suporte comercial, financeiro, contábil e jurídico. O objetivo é dar suporte total para que a startup concentre seus esforços no desenvolvimento do produto, diz Luisa.

    O investimento financeiro também é relativamente maior – R$ 100 mil em dinheiro e adicionais R$ 200 mil relativos a serviços prestados. Em troca, a Gema fica com uma participação média de 15% nas startups aceleradas. Até então, cinco empresas participam do programa de aceleração. A aceleradora também é parceira do programa do governo federal, o Startup Brasil.

    No momento, a Gema conta com inscrições abertas para nova turma de aceleração. As inscrições finalizam esta semana, dia 28 de junho, com início do programa previsto para setembro deste ano. Startups de todo o Brasil que já estejam em estágio mais avançado no desenvolvimento de seus modelos de negócios podem se inscrever.

    “A ideia é trabalhar em conjunto com startups que estejam na fase de crescimento, ou seja, já lançaram o produto, têm seus primeiros clientes, mas precisam de um suporte para crescer e se estruturar”, explica Luisa.

    Foco em B2B

    Segundo Luisa, a proposta de acelerar empresas destinadas a criar soluções para o mercado corporativo vem também de um exercício interno da própria aceleradora. “A gente sempre se pergunta onde é que conseguimos agregar mais valor. Então podemos ter empresas fantásticas no portfólio, mas temos que ser muito pé no chão para ver o que vamos conseguir adicionar para esse cara. E no mercado corporativo é esse o caso”, diz.

    Para ela, o mercado de startups com foco no corporativo tem mais chance de sobrevivência e, inclusive, de ser alvo de rodadas de investimentos com maior frequência.

    “Lá fora, vemos muitas startups que recebem investimentos milionários. Aqui é mais complicado. Os investidores querem mais segurança, mais resultados e menos ideias. Além de ser uma expertise nossa, acho que faz mais sentido para o mercado brasileiro”, reflete.

    O movimento também é visto no mercado corporativo de forma geral, que tem buscado startups para também promover inovações.

    “As empresas estão cada vez mais buscando inovação fora para gerarem inovações internas. Desde empresas de tecnologia à indústria mantêm parcerias com aceleradoras para identificar startups que elas possam utilizar dentro de suas próprias operações”, ressalta a executiva.

    Quem entra

    Segundo Luisa, o processo de curadoria das startups que participarão da aceleração da Gema inclui entrevistas pessoais ou pelo skype (caso de empreendedores que não moram em São Paulo onde se encontra o escritório da companhia), banca de avaliação com outros profissionais do mercado, e pitches. O processo de seleção dura cerca de três meses.

    “Analisamos inscrição por inscrição e damos um feedback para o candidato. Temos também casos de empresas que não passaram em uma turma e se candidatam novamente, pois acreditam que se encontram em um estágio mais avançado”, explica. Até então, a Gema conta com capacidade para acelerar 10 empresas.

    Para jovens empresas que pensam em se candidatar, Luisa reforça o conselho unânime entre investidores e empreendedores: montar uma equipe complementar. “É clichê. Todo mundo fala como a equipe é importante. Mas a cada dia que passa fica mais verdadeiro isso. O produto muda, a ideia muda. Você às vezes acha que tem um produto fantástico, mas se a equipe desiste, se não tem iniciativa suficiente ou capacidade de execução, o negócio não vai decolar”.

    Para se inscrever, startups interessadas podem realizar o cadastro por meio doformulário online.